Alba Valéria Mendonça
Do G1 Rio
A Polícia Civil indiciou um padre da Igreja Católica por estupro de
vulnerável de uma menor de idade em Niterói, na Região Metropolitana do
Rio. Como
informou o Jornal Extra,
o caso teria ocorrido há três anos, quando a menina tinha 7 anos, de
acordo os depoimentos dados na Delegacia Especial de Atendimento à
Mulher (Deam) do município.
Além da menina, Emilson Soares Corrêa, de 56 anos, também é suspeitos
de ter se relacionado sexualmente com a irmã dela, de 19 anos e é
afilhada do padre, desde quando ela tinha 13 anos, segundo o pai da
jovem. Ela contou à família, no entanto, que mantinha relações sexuais
com o padre há três anos.
Depois da confissão, a jovem foi orientada pelo pai a gravar um vídeo
do encontro com o padre. A menina então, teria chamado uma amiga de 15
anos, que topou gravar o vídeo. É esta menina que aparece nas imagens em
relações sexuais com o padre. A partir de 14 anos, quando não há
violência e o sexo é consensual, não configura crime, como esclareceu a
delegada Marta Dominguez, da Deam de
Niterói.
Ubiratan
Homsi com sua filha de 10 anos, que teria sido estuprada pelo padre
(Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia / Estadão Conteúdo)
O padre, que fora responsável pela paróquia da Igreja Nossa Senhora do
Rosário e São Benedito, no bairro do Cubango, teria sido flagrado
fazendo sexo com a adolescente na casa paroquial, mas, segundo a Polícia
Civil, o vídeo não foi entregue à delegada que investiga o caso, Marta
Dominguez.
"Em depoimento a jovem disse que às vezes se encontrava com o padre na
sua própria casa e outras vezes, na casa paroquial. Ainda não tivemos
acesso ao vídeo. Vou dar um prazo de 48 horas para que o pai traga a
gravação. Se ele não trouxer, vai responder por desobediência", disse a
delegada.
Em
entrevista à Rádio Globo,
o pai das vítimas, Ubiratan Homsi, confirmou a existência do vídeo,
gravado por ordem dele. "Esse vídeo é uma prova da pouca vergonha." A
jovem que aparece fazendo sexo com o padre não é a filha dele.
Emilson Soares confessou ter mantido relações sexuais com a irmã mais
velha, mas apenas quando ela completou 18 anos, em 2012. Apesar disso,
ele vai responder por estupro de vulnerável, por conta do abuso da mais
nova. Com relação ao vídeo com outra menor, a delegada disse que vai
investigar e ver era um hábito do religioso se relacionar com menores.
"O crime de exploração sexual depende da habitualidade do fato. Se isso
ocorre com frequência, ele pode responder por isso também", disse a
delegada Marta.
A menina de 10 anos passou por um exame de corpo de delito que
comprovou que ela ainda é virgem. Mas segundo relato da menor, o
sacerdote havia tocado suas partes íntimas, o que para a lei já é
suficiente para considerar crime. Segundo os agentes, o padre prestou
depoimento e negou ter abusado sexualmente da menor.
De acordo com a delegada Marta Dominguez, a denúncia deverá ser
encaminhada à justiça na próxima semana. Além de ver o vídeo, ela
pretende ainda ouvir a menor que aparece na gravação. Ela também quer
ouvir novamente Ubiratan e a filha dele de 19 anos, sobre o suposto caso
de extorsão.
O padre disse ainda que foi chantageado depois que o vídeo foi gravado.
Segundo Emilson, o pai pediu dinheiro e uma casa para não divulgar as
imagens. Ele não concordou e fez uma petição ao Ministério Público, em
novembro de 2012, relatando o ocorrido.
O advogado Roberto Vitagliano, que defende o padre, diz que o religioso
admite ter tido um relacionamento com a jovem de 19 anos, somente em
2012, quando ela já era maior. O padre nega ter abusado da irmã dela,
hoje com 10 anos.
"Ele é juridicamente inocente, não cometeu crime algum. A criança foi
manipulada pelo pai. Ele assume a responsabilidade de seu ato com a
maior, tanto que tomou a iniciativa de ir ao Ministerio Público. Ele foi
afastado de suas funções e vai responder por isso perante a Igreja. A
Bíblia mesmo diz que a carne é fraca. Ele cometeu um erro e se
responsabiliza por isso, mas não cometeu crime algum. Sua postura vai
ser julgada pela Igreja. O crime de estupro de vulnerável não tem
qualquer fundamento", disse o advogado, destacando que o padre é uma
pessoa simples e que está muito abalado.
O padre Emilson esteve na Deam nesta terça acompanhado de seu advogado.
Ele levou três testemunhas de que estava senso extorquido pelo pai das
jovens, sendo uma delas um padre e a outro ao advogado da Arquidiocese.
Ele deixou a delegacia por volta das 14h, mas não quis dar nenhuma
declaração.
A Arquidiocese de Niterói informou, por meio de nota, que está apurando
o caso e que o padre Emilson Soares Corrêa foi suspenso temporariamente
de suas funções. A entidade garantiu que o indiciado não é responsável
por nenhuma paróquia. O padre disse estar afastado desde 23 de novembro
de 2012, quando deu entrada no Ministério Público, segundo ele quando
passou a ser ameaçado pelo pai das meninas.