sábado, 8 de janeiro de 2011

Presos subornam carcereiros e promovem festa em delegacia no Paraná

Segundo um dos presos de Campo Mourão, os delegados sabiam da ceia de Natal com bebida e drogas


 

Redação CORREIO
No interior do Paraná os presos fizeram de uma delegacia o local de uma grande farra no Natal. Eles subornaram os carcereiros para promover uma ceia com bebida e drogas.
Muita cerveja gelada, drogas e axé. Assim foi a noite de Natal na delegacia de Campo Mourão, no interior do Paraná. Tudo gravado e fotografado por um telefone celular. E é claro: uma farra assim não seria feita sem a ajuda de quem deveria proibi-la.
Quem aparece na imagem é o carcereiro José Wilson de Oliveira. Segundo os presos, ele recebe dinheiro para comprar cerveja.
As facilidades para os presos de Campo Mourão não terminaram no Natal. Hoje, a reportagem conseguiu falar por telefone com um preso que está na delegacia. Ele disse que a festa custou R$ 3 mil e contou detalhes de como consegue bebida, drogas e telefone mesmo atrás das grades.
Repórter - como é que você consegue manter esse celular aí com você?
Preso - isso aqui é normal, você pagando ali pra carceragem não tem problema, não.
Repórter - como é que aconteceu (a festa), como é que ficou combinado?
Preso - (carcereiro) cobrou R$1.600 só pra passar a cerveja e pegou mais R$1.400 pra pagar as latinhas.
Repórter - e as drogas?
Preso - as drogas "foi pagado" mais R$ 400 por fora.
Repórter - os dois delegados sabiam da festa?
Preso - sabia.
O delegado José Aparecido Jacovós, que estava na praia enquanto a delegacia era palco da farra, diz que só soube da festa dois dias depois.
“Não! Veja bem: eu não tinha conhecimento de absolutamente nada assim que nós tomamos conhecimento tá? Agora precisa me apontar, apontando, há culpados: corrupção e cadeia”.
Dois funcionários foram afastados e vão responder pelos crimes de corrupção ativa e prevaricação. Com relação ao uso de telefones celulares, o delegado admite a dificuldade de impedir a entrada dos aparelhos.
"Nós não podemos revistar partes íntimas das mulheres. Se você faz uma revista no corpo e encontra tudo bem, mas você não pode determinar que a pessoa que faz a revista coloque a mão em determinados lugares, que isso é constrangimento ilegal e também pode ser por corrupção, pode ser que alguém esteja favorecendo”, declara o delegado.
A mulher de um dos presos, que tem medo de mostrar o rosto, confirma como é fácil entrar com drogas e celulares na cadeia. “É normal os carcereiros sempre passam droga, cerveja. Só pagar. Pagar o valor que eles querem eles passam de tudo. De tudo que precisar lá, eles passam”.
A assessoria do governador do Paraná informou que confia na palavra do delegado de que ele não sabia da farra e que, quando soube, afastou os dois carcereiros envolvidos. As informações são da TV Globo.

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