quinta-feira, 10 de março de 2011

Para diminuir tensão, Dilma recebe centrais sindicais em Brasília nesta 6ª

No primeiro encontro com presidenta após a posse, governo assina decreto que permite que sindicalistas ocupem cargos de diretoria de estatais
 
Para diminuir tensão, Dilma recebe centrais sindicais em Brasília nesta 6ª
As centrais, que já haviam se reunido com o ministro Gilberto Carvalho, terão primeiro encontro com a presidenta (Foto: Jose Cruz/ABr)
São Paulo – As seis centrais sindicais reconhecidas legalmente participarão, na manhã da próxima sexta-feira (11), de reunião com a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto. Será o primeiro encontro desde a posse de Dilma, há pouco mais de dois meses. O objetivo é diminuir as recentes tensões entre governo e centrais, resultado da aprovação do novo salário mínimo em R$ 545, que rendeu controvérsia entre os sindicalistas. As centrais reivindicavam R$ 580.
Embora a pauta não esteja fechada, o governo acena com uma concessão aos sindicalistas. Dilma assina um decreto que prevê a participação de representantes dos trabalhadores no conselho de administração das empresas estatais, segundo o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência. "Eles (sindicalistas) estavam cobrando essa reunião com a presidenta", afirmou Carvalho à Reuters.
Os representantes das centrais discutem até esta quinta-feira (10) quais pontos devem ser priorizados. Quintino Severo, secretário-geral da CUT, declarou que o debate dos tópicos para a reunião devem ser decididos em reunião preparatória. "Nós, da CUT, ainda não sentamos para conversar oficialmente, em razão do feriado, mas existem muitas coisas para colocar em pauta", disse.
A tendência é de que o carro-chefe da discussão seja a negociação de um percentual maior na correção da tabela do Imposto de Renda, de 5,5% a 6%, ante os 4,5% propostos pelo governo como moeda de troca pela aprovação da proposta governista do salário mínimo na Câmara e Senado. As centrais acreditam que podem obter mais margem de negociação.
Para o presidente em exercício da CUT, José Lopez Feijóo, a expectativa central é acertar temas pendentes como o IR e pautas que se encontram no Congresso como a ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que coíbe a demissão imotivada. Além das questões, Feijóo investe no diálogo com o governo. “A expectativa é abrir um canal de comunicação permanente com o governo para debatermos o conjunto da pauta da classe trabalhadora”, disse em nota.
Com a possibilidade de os sindicalistas participarem de conselhos de estatais, o governo tenta fazer com que entrem na pauta "debates estratégicos", não apenas os assuntos polêmicos e espinhosos, como o mínimo e o reajuste para a tabela do IR. Entre os temas que a presidente está disposta a debater está a mudança do fator previdenciário.
Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), postou em seu blogue que a central irá propor, além da "preocupação social", a redução da jornada de trabalho na reunião. "Aproveitaremos o encontro para levar para a presidente as posições da UGT favoráveis a um viés social, na continuidade de politicas públicas que apoiamos a favor da redução da miséria, dos investimentos em Educação e na inclusão social e econômica através do trabalho decente com salário também decente", defendeu.
A expectativa é de que 12 líderes sindicais compareçam ao encontro, dois de cada central. Além da CUT e da UGT, participarão Força Sindical, Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB).

Tensão

O encontro será ainda o primeiro após a troca de farpas no início do mês entre os presidentes da CUT, Artur Henrique, e da Força, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP). A expectativa dos sindicalistas é de que questões partidárias fiquem de lado no encontro com a presidenta.
Paulinho acusou falta de apoio e espaço para diálogo com o governo. Artur acusou o parlamentar de querer "cair no colo" da oposição. A CUT defendeu a retomada da discussão do fim do imposto sindical, tema sem consenso entre as centrais. Membros de diferentes entidades chegaram a dizer que a CUT estaria colocando a unidade das centrais em risco

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