Comerciante é preso no PR suspeito de manter mulher em cárcere privado
Ele foi autuado também por porte ilegal de arma de fogo.
Mulher, que teria ficado presa por 10 anos, foi internada. Um comerciante de 60 anos foi preso em flagrante na tarde desta quinta-feira (3), no município de Mariluz, no noroeste do Paraná, suspeito de manter uma mulher em cárcere privado. De acordo com a polícia, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) do município recebeu uma denúncia com a informação de que ela estaria em cativeiro há dez anos, tinha problemas de saúde e não podia procurar ajuda.Em entrevista ao G1, o comandante das Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), tenente Victor Amaral, responsável pela equipe que atendeu a ocorrência, disse que no endereço havia muros altos e cães de grande porte soltos no quintal. O cadeado do portão ficava do lado de fora e apenas o homem tinha a chave - o que, segundo Amaral, configura cárcere privado.
Amaral descreveu que todas as janelas e portas da casa estavam fechadas, mas se podia ouvir a voz da mulher, presa dentro da casa. Com a chegada da Rotam, o homem se apresentou e abriu os acessos.A polícia encontrou na casa duas armas de fogo (um revólver calibre 38, com munições, e uma espingarda calibre 36).
Os PMs relataram que a mulher aparentemente sofre de distúrbios mentais. Questionada, disse que não havia nada de errado. Uma assistente social, que esteve no local, disse que a casa era limpa e não faltavam alimentos. Porém, não havia televisão, rádio ou telefone.
A mulher contou a uma psicóloga que não tinha acesso a meios de comunicação. Foi questionada se conhecia a Lei Maria da Penha e respondeu que não sabia do que se tratava. Disse ainda que passava os dias fazendo crochê e trabalhos domésticos, mas não podia estender roupas do lado de fora antes que o homem, suspeito de mantê-la presa, chegasse para supervisionar.
No Hospital Municipal de Mariluz há um registro médico do ano de 2001, último atendimento dela.
O suspeito mora em Mariluz há 40 anos, é comerciante, casado e em tem um filho e uma filha. Ele frequentava a casa que servia de cativeiro pelo menos uma vez por dia. Uma irmã da mulher foi autorizada por ele a entrar uma vez por semana.
Ele está preso na Delegacia de Mariluz, autuado por cárcere privado e porte ilegal de arma de fogo.

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